Uma análise espiritual sobre o espanto humano diante do agir santo de Deus.

por, Projeto Sarados

Música: O Que É Isso?
Artistas: Vanilda Bordieri & Leandro Borges
Data de lançamento: 2014
Álbum: Na Tua Vontade
Compositores: Leandro Borges

“O Que É Isso?” – Quando Deus Age e a Fé é Confrontada
O Que É Isso? é uma música gospel amplamente conhecida no meio evangélico, interpretada em dueto por Vanilda Bordieri e Leandro Borges. A canção aborda a reacção humana de espanto, questionamento e até resistência diante das manifestações evidentes do poder de Deus. Em vez de celebração e adoração, muitos preferem perguntar: “O que é isso?”, revelando um coração mais curioso do que rendido.
Composição de Leandro Borges, a música integra o álbum “Na Tua Vontade”, lançado por Vanilda Bordieri em 2014. A letra utiliza exemplos bíblicos claros e confrontadores — como o aleijado que passa a saltar, Davi dançando diante da arca e a mulher que unge os pés de Jesus — para mostrar que, sempre que Deus age com poder, há quem se incomode, questione ou critique, quando a resposta correcta deveria ser adoração, temor e rendição.
A canção não foi escrita apenas para emocionar, mas para confrontar a religiosidade estéril e despertar discernimento espiritual. Ao longo dos anos, “O Que É Isso?” tornou-se uma referência em cultos, congressos e ministrações, exactamente porque toca num ponto sensível da fé contemporânea: a dificuldade de lidar com um Deus que age fora dos padrões humanos e religiosos.
Neste artigo, analisamos a letra estrofe por estrofe, à luz da Escritura, trazendo o confronto bíblico necessário e aplicações práticas para os nossos dias, ajudando o leitor a discernir o mover de Deus e a responder não com espanto vazio, mas com adoração genuína.
Texto Áureo
“Mas o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
1 Coríntios 2:14
1. O espanto diante do agir inesperado de Deus
A música começa com um clima de perplexidade espiritual. Algo está a acontecer, mas muitos não sabem explicar. Biblicamente, isto ecoa Atos 2, quando o Espírito Santo desceu e alguns disseram: “Estão cheios de vinho”. Sempre que Deus age fora do controlo humano, a primeira reação é confusão.
Confronto bíblico:
Deus não se submete às expectativas humanas. Ele age conforme a Sua soberania (Isaías 55:8–9).
Na Escritura, sempre que Deus age fora dos esquemas humanos, surge espanto, resistência e até acusação. Em Atos 2, quando o Espírito Santo se manifesta com poder, alguns dizem que os discípulos estavam embriagados. O problema não era falta de evidência, mas falta de discernimento espiritual. Deus não muda; o coração humano é que se acomoda e estranha quando Ele rompe a normalidade religiosa.
Aplicação prática:
Hoje, quando Deus restaura alguém improvável, liberta um coração quebrado ou traz arrependimento profundo num culto simples, muitos perguntam: “O que é isto?”. Em vez de glorificarem a Deus, analisam métodos, julgam pessoas ou desconfiam do mover. O espanto revela uma fé mais racional do que espiritual.
2. Quando a presença de Deus incomoda o pecado oculto
A letra aponta para um ambiente onde nem todos estão confortáveis com o que está a acontecer. Isso revela uma verdade dura: a presença de Deus consola os quebrantados, mas incomoda os que escondem o pecado. Em João 3:19–20, Jesus afirma que muitos rejeitam a luz para que as suas obras não sejam expostas.
Confronto bíblico:
Onde há santidade real, máscaras caem.
A Bíblia ensina que a luz de Deus revela tudo o que está escondido. Em João 3:19–20, Jesus afirma que muitos rejeitam a luz porque as suas obras são más. A presença de Deus não apenas consola; ela confronta, expõe e chama ao arrependimento. Onde há pecado escondido, a manifestação da santidade provoca desconforto.
Aplicação prática:
Nos nossos dias, há quem goste de louvor, mas rejeite santidade. Aplaude canções, mas evita mensagens que confrontam pecado, orgulho, imoralidade ou falta de perdão. Quando Deus começa a tratar o carácter e não apenas as emoções, muitos afastam-se, dizendo que “o ambiente está pesado”.
3. A religiosidade que pergunta, mas não se arrepende
“O que é isso?” pode ser uma pergunta sincera… ou uma resistência disfarçada. A música denuncia uma religiosidade que observa o mover de Deus, mas prefere questionar em vez de se render. Tal como os fariseus, que viam milagres, mas endureciam o coração (Mateus 12:24).
Confronto bíblico:
Conhecer Deus não é analisar o mover, é submeter-se a Ele (Romanos 12:1).
Os fariseus presenciaram milagres, libertações e curas, mas preferiram questionar a origem do poder de Jesus em vez de se arrependerem. Mateus 12 mostra que é possível ver Deus agir e, ainda assim, resistir-Lhe. A religiosidade observa, analisa e comenta, mas não se submete.
Aplicação prática:
Hoje, muitos consomem conteúdos cristãos, assistem cultos online e seguem líderes, mas mantêm o coração fechado. Perguntam “o que é isso?” porque não querem mudar. Preferem uma fé confortável, sem cruz, sem renúncia e sem transformação real.
4. Deus não pede permissão para agir
A música deixa claro: o que está a acontecer é Deus. Não é emoção, não é manipulação. Quando o Senhor decide agir, Ele não consulta estruturas humanas. Como em Amós 3:8: “Rugiu o leão, quem não temerá?”
Confronto bíblico:
Amós 3:8 ensina que quando Deus fala e age, ninguém pode ficar indiferente. A soberania de Deus não depende de agendas humanas, hierarquias ou consensos. Ao longo da Bíblia, o Senhor age quando quer, como quer e com quem quer, sempre fiel à Sua Palavra.
Aplicação prática:
Vivemos numa era de controlo, planeamento e métricas. Muitos querem prever, gerir e limitar o agir de Deus. Quando Ele foge ao script — seja num culto simples, numa casa ou num coração improvável — surge desconforto. Mas Deus continua a agir mesmo quando não cabe nos nossos modelos.
5. O juízo começa pela casa de Deus
O tom final da canção é sério e profético. O espanto maior não vem do mundo, mas da igreja. Isto confirma 1 Pedro 4:17: “Porque já é tempo que comece o juízo pela casa de Deus.”
Confronto bíblico:
1 Pedro 4:17 afirma que o juízo começa pela casa de Deus. Isso não fala de condenação, mas de purificação. Deus trata primeiro com o Seu povo porque o ama. Ele corrige, disciplina e expõe para restaurar, não para destruir.
Aplicação prática:
A pergunta não é “o que é isso?”, mas “o que Deus quer mudar em mim?”
Em vez de a igreja perguntar por que o mundo está perdido, deveria perguntar por que perdeu sensibilidade espiritual. Muitas vezes há muito barulho religioso, mas pouco arrependimento. Deus começa o Seu mover tratando o altar, não a plateia.
6. A pergunta errada e a resposta certa
A pergunta “O que é isso?” surge, muitas vezes, não por falta de informação, mas por falta de rendição. Ao longo da Bíblia, sempre que Deus manifesta o Seu poder de forma clara, há quem observe, questione e até critique, em vez de se humilhar e adorar. O problema não está na pergunta em si, mas no coração que a formula. Quando o homem se coloca como juiz do agir divino, perde a oportunidade de participar do mover de Deus e de ser transformado por Ele.
Confronto bíblico:
A pergunta “O que é isso?” pode ser legítima, mas a pergunta bíblica correcta é: “Senhor, o que queres de mim?”. Em Atos 9, Paulo não questiona o fenómeno, mas rende-se à vontade de Cristo. O verdadeiro discernimento leva à obediência.
Aplicação prática:
Hoje, muitos perguntam “o que está a acontecer na igreja?”, quando deveriam perguntar “o que Deus quer mudar em mim?”. O mover de Deus não é espectáculo; é convite ao arrependimento, à transformação e à entrega total.
Considerações Finais

A música “O Que É Isso?” revela uma realidade espiritual recorrente: Deus continua a agir, mas nem todos estão preparados para lidar com a Sua presença. O espanto descrito na canção não vem do mundo incrédulo, mas de ambientes religiosos, onde a forma muitas vezes substituiu a essência. A letra expõe o risco de uma fé que observa, mas não se envolve, que comenta, mas não se arrepende.
Ao analisar esta canção à luz da Palavra, percebemos que o verdadeiro problema não é o excesso de manifestações, mas a escassez de discernimento espiritual. Onde há intimidade com Deus, o Seu agir é reconhecido; onde há apenas religiosidade, o Seu mover é questionado. A música chama a igreja a trocar o espanto vazio por uma adoração genuína e obediente.
Conclusão

“O Que É Isso?” não é apenas uma pergunta cantada, mas um convite à reflexão profunda sobre a nossa postura diante de Deus. Sempre que o Senhor decide agir com poder, Ele expõe corações, ajusta motivações e chama o Seu povo ao arrependimento. A resposta correcta ao mover de Deus nunca é a crítica, mas a rendição.
Nos nossos dias, esta mensagem é mais актуais do que nunca. Em vez de perguntar “o que é isso?”, a igreja é chamada a perguntar: “Senhor, o que queres fazer em mim?”. Quando essa pergunta nasce num coração humilde, o espanto transforma-se em temor, a crítica em adoração, e a presença de Deus deixa de ser um incómodo para se tornar a maior necessidade da nossa vida.









